sexta-feira, 22 de junho de 2007

Carta de Maysa para o ator Carlos Alberto, seu último marido, depois que eles acabaram o casamento em 1975:

Meu Amor,
Agora que você adormeceu, que esse dia passou a ser uma partida, agora que até um sol meio canalha esta me gozando, passando aqui pela varanda, agora que é agora só por instantes e vai ser depois inexoravelmente e que, não há a menor dúvida, você parte nesse depois, é que acho que a única coisa que me resta ´fazer como os tolos infelizes, ou seja, emudecer, deixar que os meus olhos, que são a minha verdadeira boca, sabem, com a dignidade que só os cães tem, fazer do silêncio a minha forma de te acompanhar, de estar contigo nesta ida tua que eu não entendo, mas devo.
Transformar todos esses verbos, entender, partir, dever, em um só: amar. Amar tudo que seja teu, até mesmo a tua partida. O diabo é que não é fácil. Enquanto estou aqui gravando a tua fita, o som das músicas que são da gente é como uma faca que me corta, corta tanto que a dor está rindo pelo conseguido. É, por falar em rir, como é triste o som de um violino quando agente está triste. Nunca tinha percebido isso. Ao contrário, sempre achei que o violino era o rei da demagogia. Que nada, amor. É um puta sabe-tudo, companheiro pacas, e chora tão lindo quanto eu.
Volta, amor, porque fiquei aqui.
Te amo
Maysa

(Reportagem da revista Flash News sobre os trinta anos da morte da cantora Maysa)

obs: pessoas como a Maysa que não tem pudores de demonstrar seus sofrimentos e grande parte das vezes morrem jovens, são os que realmente vivem com intensidade, mesmo que não acreditem que exista algum sentido em viver. Por isso os admiro!

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